Todos os softwares de gestão
documental (SGD) que foram alvo deste estudo, cumpriam a esmagadora maioria dos
inúmeros requisitos previamente descriminados durante a fase de investigação.
Assim, esta seleção teve em conta os critérios de escolha inumerados após essa
fase, com vista a selecionar o SGD que melhor se adequava ao órgão onde o mesmo
será implementado.
Os SGD eram vários e alguns
bastante distintos entre si no tipo e maneira de gerir as várias fases
documentais. Uns eram mais apropriados a grandes empresas com um enorme fluxo
documental e bastante caros do ponto de vista comercial, outros eram
disponibilizados em versões gratuitas ou comunitárias, mas bastante simples e
limitados, pelo que tentou-se obter um equilíbrio entre funcionalidade e
economia.
O software PHC ControlDoc por
exemplo era bastante completo, mas também bastante complexo, destina-se
prioritariamente a grandes organizações com elevado fluxo documental. Além disso,
este SGD vinha em forma de módulo para ser usado com o software original PHC, o
que o torna bastante caro, uma vez que apenas era disponibilizada a versão
comercial. Como principais características destacavam-se a gestão documental
completa integrada com o Software PHC, compatível com scanners para
transformação rápida de documentos em papel para documentos digitais. Nas gamas
Advanced e Enterprise possuía a funcionalidade do workflow organizacional.
Acessos pré-definidos para consulta e manipulação dos documentos.
Por outro lado, o software MoreDoc
era disponibilizado nas duas versões, comercial e gratuita. No entanto
apesar de ser simples e de fácil utilização, foi concebido principalmente para
a gestão de expediente das organizações. Destacava-se pela interface web, necessitando
apenas de um posto de trabalho com acesso à rede e browser web, arquivo
eletrónico de documentos digitalizados, gestão de tarefas e encaminhamento,
serviço de expediente, registo de saídas, registo de circulação interna e
gestão do plano de classificação. A versão comunitária perdia funcionalidades
importantes, tais como associar um dossiê ao documento, gestão de dossiês, gestão
de permissões e gestão de entidades.
O M-Files revelou-se um bom
sistema de gestão eletrónica de documentos, mas também este direcionado a
grandes empresas com ambientes exigentes. Como ponto forte destacou-se a Integração
com o Windows. O M-Files está perfeitamente integrado com o Windows Explorer,
fornecendo uma interface de utilizador que é instantaneamente familiar a todos
e fácil de aprender e usar. O M-Files suporta todos os aplicativos
do Windows tais como o Office, Word ou Excel, CAD, soluções de contabilidade,
faturação, Stocks, etc. É uma característica importante porque permite que os
utilizadores trabalhem de maneira que sempre o fizeram, utilizando os comandos
padrão do Windows que já conhecem e utilizam todos os dias, necessitando de
pouca, ou nenhuma, formação. Destacou-se ainda por permitir gerir e controlar
as versões dos documentos e o seu histórico. Este SGD estava apenas disponível
na versão comercial, sendo bastante poderoso, mas também algo oneroso, apesar
de a relação preço/qualidade ser boa. No entanto achou-se que este SGD excedia
largamente as necessidades do GGQ.
Continuando com SGD comerciais, o
ClickDoc
é um software direcionado principalmente para a gestão documental de arquivos,
bibliotecas e centros de documentação. Os programadores tiveram inclusive em
conta as recomendações da DGLAB / TT - Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e
da Biblioteca / Torre do Tombo. Este SGD está dividido por diversos “módulos” o
que por si só não se revelou prático. Por exemplo, no software de gestão
documental não incluía a circulação de documentos, ou seja, o workflow, que
teria de ser complementado com o “módulo” especifico.
O SGD Nuxeo disponibilizado de
forma gratuita com opção de subscrição comercial para apoio técnico revelou-se
ser poderosa e funcional. No entanto a curva de aprendizagem é algo elevada
apesar da grande quantidade de documentação de apoio existente. O Nuxeo
é uma plataforma onde se pode criar várias projetos ou aplicações. A instalação
apresenta alguns problemas nomeadamente termos de instalar o Visual C++ Redistributable for Visual Studio
2012. Este SGD disponibiliza as principais funções exigidos para o nosso projeto,
mas as dificuldades iniciais e o tempo que foi necessário investir para o
explorar minimamente foi um ponto muito desfavorável.
Quanto ao Mytho revelou-se ser um SGD muito
complexo, concebido mais uma vez para grandes corporações. Tal como o PHC
ControlDoc apenas consegue-se a versão comercial, igualmente dispendiosa
uma vez que foi idealizada para poder integrar-se com o software Primavera.
Ou seja, é um SGD profissional e
excedia largamente os requisitos e as funcionalidades para o nosso caso em
particular.
O Filedoc demonstrou
grandes semelhanças com o M-Files, partilhando assim das
suas vantagens mas também das desvantagens. Concebido para grandes volumes
documentais em ambientes exigentes, e com bom aspeto gráfico, o Filedoc
é um SGD composto por vários módulos que cumpre, objetivos distintos. Possui um
interface amigável e de simples utilização, possibilitando o acesso a partir de
qualquer equipamento que possua um browser Internet. Este foi o único SGD que
refere e afirma cumprir os requisitos para um sistema de gestão de documentos
eletrónicos (MoReq2). Mais uma vez este é um que SGD excede largamente as
necessidades por nós exigidas, sendo no entanto bastante completo para grandes empresas
com fluxo documental elevado e com necessidade de funções avançadas como leitura
de código de barras ou assinatura digital por exemplo.
Quanto ao SGD Idok,
este é aparentemente simples e funcional. Com um aspeto gráfico
bastante simples e sóbrio mas também bastante completo. No entanto, após algum
tempo a explorar este SGD, a sensação que se fica é que falta-lhe intuitividade
e também revelou-se mais apropriado a instituições com serviço de expediente,
ou seja, registo de documentos, entradas, saídas, faturas, etc. Como ponto
negativo que “saltou” de imediato foi o fato de não possuir workflows
pré-definidos havendo necessidade de ser criado especificamente pelo
utilizador. Esta ferramenta também aparentemente fácil de se usar, mostrou ser
difícil e até frustrante uma vez que os “ícones” não respondiam quando se
clicava neles. De todos os SGDs pagos este era o mais acessível em termos
económicos.
Passando agora para os SGD
gratuitos, o LogicalDOC mostrou ser de início algo complexo e difícil de utilizar,
mas após algum tempo notou-se alguma intuitividade de utilização. Também
concebido para empresas com elevado volume documental, mostrou ser bastante
completo, mas na sua versão comercial. De fato existem muitas funcionalidades
que se perde na versão gratuita, sendo este um dos pontos negativos principais.
O Opendocman mostrou ser um
SGD acessível mas também extremamente simples. O interface é bastante sóbrio e
com gráficos básicos, este SGD cumpre os requisitos mínimos mas sem grandes
expectativas. Apesar das funcionalidades básicas estarem todas presentes, este
SGD mostrou ser algo “simplista” em demasia. Requer no entanto alguma
habituação para se tirar partido do software. Este SGD mostrou assim ser um
programa que qualquer um pode usar, independentemente do grau de conhecimento
do utilizador ou da dimensão da instituição. Existe a possibilidade de adicionar
“plugins” que aumentam as funcionalidades do SGD sendo que a maior parte são
funcionalidades que requerem pagamento.
Para finalizar este estudo
comparativo analisámos o Alfresco. Este SGD mostrou logo de
início uma intuitividade bastante superior aos outros programas, um interface
simples mas bastante funcional, graficamente agradável e com funcionalidades
que iam de encontro às nossas necessidades. Disponível nas versões comunitárias
e profissional (MoreData) este SGD vem com vários tutoriais de rápido e fácil acesso.
Após algum tempo já o estávamos usando sem grandes dificuldades, revelando uma
curva de aprendizagem inicial bastante agradável. Como ponto forte temos os
workflows pré-definidos, permitindo assim de imediato usarmos esta ferramenta
de maneira efetiva. Este SGD adapta-se perfeitamente a fluxos documentais não
muito elevados devido ao seu interface amigável mas também é flexível o
suficiente para albergar grandes quantidades de documentos em vários formatos.
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